Número total de visualizações de páginas

terça-feira, 2 de junho de 2026

 Viajar é viver!

Bem-vindos à Amazónia: o reality show mais selvagem da terra, caótico e perfeito. Qual Tarzan! As minhas férias no maior parque temático do mundo! A floresta amazónica não é  apenas um monte de árvores, ela é o motor do planeta, o ar condicionado do mundo e o maior condomínio fechado de criaturas bizarras. O rio tem água para dar e vender, humilha qualquer outro. Por aqui os golfinhos ( botos), são cor de rosa, parece que saíram de um filme da Barbie. Esta gigantesca floresta, depende das poeiras do deserto do Saara para sua fertilização e é também a maior farmácia do mundo. A Amazónia limpa o nosso ar, regula o clima e ainda serve de lar para criaturas que parecem saídas de um filme de ficção científica. E para visitar este " coração de esmaralda", saímos do porto de Manaus neste luxuoso navio hotel de 5 estrelas - O ar Condicionado no meio do calor tropical. 

      




   
                Arquipélago fluvial das Anavilhanas  

                             

   
Por aqui o rio negro resolveu jogar tetris com mais de 400 ilhas, criando um labirinto que muda de roupa, metade do ano finge ser um deserto, outra metade, o rio sobe tanto que as ilhas afundam e os barcos ( igapós), passam por cima das copas das árvores.





Iracema e lagoa cristalina em Presidente Figueiredo



                              

O nascer do sol na Amazónia, visto de um barco, é o melhor despertar do planeta, só que sem o botão de " soneca" ! Imagine: O mundo ainda está num tom azul escuro misturado com breu e de repente a floresta decide acordar e oferecer um show! Os pássaros entram num "backing" vocal com mil assobios diferentes. O céu decide que o azul escuro já era. Joga um balde de tinta rosa, depois um de laranja e do nada, o horizonte parece um "milk-shake" de morango com manga. O sol surge gigante, dourado e brilhante e é tanta luz que você nem se lembra do seu mau humor matinal. 





Continuando a nossa imitação barata de Indiana Jones pela selva adentro - sem morrer no processo - tropeçamos no elenco completo do Rei Leão versão Amazónia: o comité de boas - vindas inclui desde macacos a fazer acrobacias, aves exóticas e outras criaturas. Enfim! Fomos invadir o condomínio fechado mais vivo do planeta! Saímos do luxo de 5 estrelas para uma caminhada na selva que é o mesmo que trocar um tapete vermelho por uma " carpete " de folhas molhadas e raízes rebeldes. 





Caminhar pela Amazónia é uma caixinha de surpresas. A melhor parte do percurso? O momento em que nos transformámos em autênticos paparazzi do Rio Amazonas. Tudo porque decidimos ir ao encontro dos botos cor-de-rosa, que quando apareceram, roubaram completamente o protagonismo à floresta.  Eles  fizeram aquela pose de quem sabe que é uma lenda da biologia e, deixaram-nos tirar a foto perfeita ( o que é uma tarefa impossível quando se está a abanar num barco de entusiasmo ). O boto cor-de-rosa é uma espécie de super herói da Amazónia, mas ao contrário. Ele de dia é um golfinho fofinho e de noite, transforma-se num humano irresistivel e pronto para ir curtir a vida noturna. É basicamente o único animal que faz o percurso inverso do lobisomem, só para poder ir dançar e estragar corações.


                                    





Após uns segundos de chamamento, eles chegam para a boa diversão




Este museu é o lugar perfeito para descobrirmos que a ostentação não foi inventada no Instagram, mas sim no meio da selva! O espaço é na verdade, um cenário de filme gigante. Foi construído em 2002 para o filme " a selva" mas acabou por virar museu. Aqui podemos ver " a ilusão da riqueza". A casa luxuosa do barão da borracha, cheia de móveis caros importados da Europa. Ao lado as cabanas miseráveis dos seringueiros a contrastar. Podemos observar a " armadilha" montada para enganar os trabalhadores que ficavam sempre a dever dinheiro ao patrão. O experiente e conhecedor Jefferson, nosso simpático guia,  também mostrou como era o corte da seringueira e como o leite da árvore ( látex) se transforma em borracha. Tape bem o nariz por causa do desagradável fumo.  

 

















Banheira da filha do seringalista com vista para o rio



  

 Borracha


Caminhada pela zona dos jacarés -  Não pense em fazer o "Indiana Jones" sózinho. Por estas bandas quem manda é o jacaré e não o GPS. Mas, a parte mais divertida e excitante, é a focagem dos jacarés durante a noite. Você vai num barco e está tudo escuro. Procura os olhos brilhantes numa pista de dança. O guia vai passando a luz de uma lanterna junto às margens e rentinho à água. E, com sorte podemos ver os pontinhos a brilhar, mas não são pirilampos, são os olhos dos jacarés como se fossem faróis de um  carro, que nos avaliam como um próximo lanchinho. Na verdade, não tivemos muita sorte mas,  lá encontramos uns pontinhos a brilhar, mas poucos.



 Comunidade local Kambeba - Povo das águas. Esta é a comunidade indígena Três Tribos que abriga o povo Cambeba e habita nas margens do rio Solimões e do baixo rio Negro.  A escola é um ponto de referência para a educação intercultural da região. O desporto nacional é o arco e flecha que é levado muito a sério por este povo.





Os Caboclos 
são os verdadeiros heróis da floresta Amazónica. Eles usam uns pequenos barcos chamados rabetas ( que de silencioso não tem nada) para se deslocarem. Bem dispostos, alegres e amáveis. Nasceram da união entre brancos e índios e criaram a sua própria cultura. Vivem em palafitas que ora flutuam, ora ficam num alto para não se transformarem em piscinas quando o rio sobe. 

Assim fomos recebidos




Fim da expedição e desembarque em Manaus - A última árvore fica para trás com um misto de alívio e " sobrevivi" ao calor e aos mosquitos. Sair do rio e pisar terra firme é sentir o bafo quente da cidade, é sentir o fumo das motos e o cheiro a peixe frito. 


                    









Mercado Adolpho Lisboa é o coração palpitante de Manaus. É um mercadão à beira do rio negro, onde você se vai cruzar com espécies de água doce que parecem ter saído de um filme de ficção cientifica, como o pirarucu e o tambaqui. 


Igreja de S. Sebastião de Manaus



salão nobre

Teatro Amazonas - um dos principais marcos culturais e arquitetónicos do Brasil. Tivemos a sorte de sermos acolhidos pelo "manto sonoro" de uma orquestra que estava a decorrer naquele momento. 



O rio Negro e o Solimões são a prova definitiva de que " casal que discute a relação" também existe na natureza: andam km inteiros lado a lado, mas sem se misturar, devido a diferenças na temperatura, densidade e velocidade da água. 

Quanto à gastronomia é uma aventura: você come um peixe gigante chamado Pirarucu e toma tacacá que deixa a boca dormente. Tem outro que se chama Tambaqui, pirarara, cuiú-cuiú, e muitos mais...

E assim me despeço da Amazónia, com a alma cheia de repelente vazio. Sobreviver aos mosquitos: Feito! Não cair do barco: Feito! Não ter diarreia: Feito!  
Conhecer diferenças culturais e costumes: Feito! 
As pessoas são tão diferentes de nós, mas têm tanto de amabilidade, cooperação, companheirismo, simpatia e  humanidade!


E você teria coragem de enfrentar os mosquitos da Amazónia e entrar nesta aventura, ou ficaria a ver as fotos em segurança ?
























 





quarta-feira, 6 de maio de 2026

 Viajar é viver

Era uma vez, no coração da Europa, um reino chamado Suiça - um lugar tão arrumadinho onde as vacas fazem terapia para garantir que os seus sinos estejam afinados em Dó Maior.

Quando Deus decidiu pintar o mundo, coloriu todas as montanhas dramáticas e os seus lagos cor de pastilha elástica azul e colocou-os  todos no mesmo sítio. 

E foi assim que nasceu este cenário de conto de fadas e os picos nevados que tocam as nuvens e os prados que são tão verdes que até faz impressão.







Subi ao Monte Titles e fiquei com frio na barriga. Titlis Rotair, o primeiro teleférico giratóro do mundo  que faz uma rotação de 360 graus durante e subida. 





                       



Piz Glória - local famoso por ter sido cenário do filme de James Bond " On Her Majesty`s Secret Service " . Também aqui se encontra um restaurante giratório de 360 graus. 


Neste reino, o tempo é uma religião, é uma precisão. Os habitantes são tão discretos que comunicam em quatro línguas dierentes, dependendo de qual montanha estão a descer, mas todos partilham um amor profundo por uma poção mágica, chamada " queijo derretido". 

Por aqui o ouro não está guardado nos bancos subterrâneos, por gnomos em fatos de luxo, está no chocolate.  Dizem que o chocolate suíço é feito com leite de vacas que ouvem Mozart e recebem massagens diárias. Damos uma dentada e sentimos os problemas a desaparecer e a sua conta bancária perdoa-lhe os dez euros que pagou por um café.

Enquanto o resto do mundo anda entre duelos e dragões, a Suiça prefere ficar em casa a polir os seus relógios e a contar os seus canivetes multiusos.






A Suiça valoriza os seus costumes locais - xadrês gigante onde os peões são peças grandes movidas pelos jogadores

Assim, entre lagos espelhados e montanhas que parecem desenhadas à mão, a Suiça é o lugar onde o romance é eterno e a natureza é perfeita. 






O comedor de crianças


Teatro transformado em restaurante onde almoçamos


Parque de bicicletes








Um sábado cultural por Lisboa: do esplendor da Ajuda á gargalhada no teatro

 No passado sábado, tirei o dia para me perder pelas preciosidades da nossa capital.  Comecei de manhã com uma visita ao Palácio Nacional da...