Número total de visualizações de páginas

sábado, 14 de setembro de 2013

As premonições de Natália 

 "A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista".

"A sua influência (dos retornados) na sociedade portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai dar-se sobretudo quando os seus filho...s, hoje crianças, crescerem e tomarem o poder. Essa será uma geração bem preparada e determinada, sobretudo muito realista devido ao trauma da descolonização, que não compreendeu nem aceitou, nem esqueceu. Os genes de África estão nela para sempre, dando-lhe visões do país diferentes das nossas. Mais largas mas menos profundas. Isso levará os que desempenharem cargos de responsabilidade a cair na tentação de querer modificar-nos, por pulsões inconscientes de, sei lá, talvez vingança!"

"Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".

"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".

"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão".

"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"

"As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir".


Natália Correia

Fajã de Baixo, São Miguel, 13 de Setembro de 1923 — Lisboa, 16 de Março de 1993


Todas as citações foram retiradas do livro "O Botequim da Liberdade", de Fernando Dacosta.

Mulher com apelido de 35 letras tem de mudar de nome

Mulher com apelido de 35 letras tem de mudar de nome

Ministro da Educação interrompido por professora quando discursava em Viseu - Política - Notícias - RTP

Ministro da Educação interrompido por professora quando discursava em Viseu - Política - Notícias - RTP

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Peter Gabriel - Biko


Mulher de 40 - de 15 de 20 de 60 de...


Portugueses protestam contra homenagem de Miguel Relvas no Rio de Janeir...


Carta aberta, no início do novo ano
Armanda Zenhas | 2013-09-11


Olhei para o número de turmas que vou ter e assustei-me. São tantas, tantas... mais que nos primeiros anos da minha carreira. E não me posso queixar. Muitos colegas têm 11 turmas. As turmas rondam os 30 alunos. Como vai ser possível conhecer-vos?
Queridos alunos,
Estamos prestes a conhecer-nos. Mas quero já explicar-vos que receio não conseguir aprender os vossos nomes nem distinguir os vossos rostos como sempre fiz questão de conseguir (com dificuldade crescente nos últimos anos), como vocês sentem que tem que acontecer e como têm direito a que aconteça. Olhei para o número de turmas que vou ter e assustei-me. São tantas, tantas... mais que nos primeiros anos da minha carreira. E não me posso queixar. Muitos colegas têm 11 turmas. As turmas rondam os 30 alunos. Como vai ser possível conhecer-vos? E se já me preocupa como fixar as vossas caras e nomes, mais me preocupa como vos conhecer mesmo, a pessoa que cada um de vocês é, para poder trabalhar com cada um de modo que corresponda às vossas necessidades; e com cada turma como grupo único que é, de maneira que se adeque à sua realidade. Quero recusar-me a considerar-vos números. Prometo que vou tentar fazê-lo. De há anos a esta parte, em cada novo ano este desígnio tem sido mais difícil de alcançar (o número de turmas e de alunos não tem parado de crescer). Não vou desistir dele... mas não posso prometer mais nada.

Caros pais e mães,
Para além do que já confidenciei aos vossos filhos, com o contínuo aumento do número de turmas por professor, cresce também aquele trabalho invisível, que a tanta gente passa despercebido (de forma injusta), como se não existisse. Por exemplo, as reuniões tornam-se cada vez mais. O constante aumento do número de alunos de cada turma, acrescentado ao número de turmas, obriga ainda a um maior tempo de preparação de aulas, de elaboração de documentos, de trabalhos/testes para corrigir.

Ouço falar em rigor, em exigência, em resultados. Na realidade, vejo... latas de sardinhas: escolas/agrupamentos gigantescos; turmas enormes; superprofessores com centenas de alunos, com cargos de enorme responsabilidade (coordenação de departamentos, secretariado de - cada vez mais - exames, etc.) sem lhes serem dadas horas para os exercer. Sinto que as pessoas (alunos, professores, assistentes operacionais, outros - poucos - profissionais das escolas) são formigas no sistema, números nas estatísticas. Falam-nos em necessidade de garantir resultados (assim, apenas, se entende a qualidade) e de encontrar soluções para lá chegar. Às dificuldades apontadas por todos os que sentimos ser impossível trabalhar adequadamente quando nem se consegue conhecer os alunos, o sistema responde que há que assumir as responsabilidades profissionais e mostrar resultados. Quero continuar a sentir-me uma professora-pessoa (ou não serei professora) a trabalhar com estudantes-pessoas-indivíduos. Quero que os vossos filhos, únicos para vocês, sejam únicos para mim também. Não vou desistir deste desígnio... mas não posso prometer mais nada.

Caros colegas,
O desespero é de todos nós, mas sei que não é igual para todos. Alguns (muitos) de nós nem conseguimos trabalho. Outros conseguiram-no uma vez mais (ou pela primeira vez) longe de casa, com o salário a quase não cobrir as despesas de deslocação. Uns têm a sorte de trabalhar apenas numa escola. Outros saltitam de escola em escola do mesmo agrupamento (ou até de vários). Uns desesperam por não conseguir trabalho. Outros desesperam por não terem mãos a medir para desempenhar o seu trabalho com qualidade e, para além disso, conseguirem manter uma vida pessoal (serem pais, mães, filhos, amigos... pessoas).

Sei que, como eu, todos vocês resistirão para que a escola pública não veja a sua qualidade degradada. A formação global de seres humanos com conhecimentos e valores é um desígnio de que não podemos desistir e em torno do qual temos de nos unir.

Como vou assinar esta carta? Poderia assiná-la com o meu nome, Armanda. Mas se a assinar como "Um/a professor/a", essa opção não será desadequada. Tenho a certeza de que muitos e muitos professores a poderiam sentir como sua.

Nota-final: O enorme problema colocado na carta é apenas um dos gigantescos problemas com que a escola pública se depara (por exemplo, o "cheque ensino" aí está como mais uma ameaça), e que fazem perigar a sua sobrevivência e o seu desígnio de garantir uma educação universal e de qualidade, com igualdade de oportunidades de acesso e de sucesso para todos. A resistência referida é uma forma de exercer a cidadania em defesa da escola pública.

Um dia no zoológico de Lisboa

 Levei as minhas três netas de 18, 17 e 11 anos ao jardim zoológico de Lisboa e confirmei que são o público mais difícil do planeta 😀. Pass...